Ao olharmos para as fotos dos observatórios, podemos ver que muitos deles são construídos no topo de montanhas. Será que isto é para estarmos mais perto das estrelas? Claro que não. Existem vários aspetos a considerar. Primeiro, para evitar as nuvens baixas e a neblina. Geralmente, a altura da neblina é de algumas centenas de metros, as nuvens baixas distribuem-se abaixo dos 2000 metros, e as nuvens médias distribuem-se por volta dos 4000 metros. Se uma montanha estiver acima dos 4000 metros, podemos evitar que muitas nuvens obscureçam as estrelas. Em segundo lugar, nas montanhas, a atmosfera é relativamente mais calma, permitindo captar imagens mais claras dos objetos celestes. Em terceiro lugar, as regiões de baixa altitude têm uma maior densidade de vapor de água, que absorve fortemente a luz infravermelha e algumas ondas de rádio. Contudo, nas montanhas, a densidade de vapor de água é menor, permitindo observações em mais faixas de comprimento de onda. Os desertos secos também são locais ideais para telescópios.
Existem locais na Terra melhores do que as montanhas e os desertos para observatórios? A Antártida é um desses locais. A Antártida coberta de gelo é um planalto, e o Dome A, perto do Polo Sul, tem uma altitude superior a 4000 metros, além de ser um local extremamente seco, com uma humidade no ar inferior à do deserto, sendo um dos melhores locais de observação da Terra. Além disso, na Antártida, existem os fenómenos do crepúsculo e da noite polar, permitindo aos astrónomos observarem as estrelas durante vários meses de noite contínua. A China está a construir o Telescópio de Pesquisa do Céu Antártico no Dome A, para estudar temas de vanguarda da astronomia, como buracos negros, matéria escura, energia escura e a origem do Universo.

