A maioria dos imperadores antigos adorava coroas feitas de ouro e jóias, mas o imperador francês Napoleão III criou para si mesmo uma coroa de alumínio, para demonstrar a sua grandeza. Além disso, durante os banquetes, Napoleão usava talheres de alumínio, enquanto os outros convidados usavam talheres de prata. A coroa de ouro brilhava intensamente e os talheres de prata também eram brilhantes, muito mais caros e luxuosos do que a coroa e os talheres de alumínio. Mas por que Napoleão III gostava tanto da coroa e dos talheres de alumínio?
Na verdade, isto deve-se ao facto de que os objectos raros são mais valorizados. O alumínio não é escasso na Terra, sendo um elemento abundante na crosta terrestre, logo a seguir ao oxigénio e ao silício, e o primeiro entre os metais, com quase o dobro do ferro e mil vezes mais que o cobre. No entanto, o alumínio tem uma química muito reactiva, sendo muito difícil obter metal de alumínio a partir de minérios. Inicialmente, o alumínio era produzido através da substituição do alumínio metálico por potássio a partir de cloreto de alumínio anidro, um processo complexo, pelo que o alumínio era um material muito raro no século XIX. Além disso, era necessário recolher uma quantidade suficiente de pó de alumínio para fundir em lingotes, tornando o alumínio um produto "de luxo", muito mais raro do que o ouro e a prata. Foi por isso que Napoleão III preferia as coroas e os talheres de alumínio.
A grande mudança na produção de alumínio foi feita por dois jovens. No final do século XIX, o americano Hall e o francês Herou inventaram, independentemente, o processo de electrólise para obter alumínio metálico. Naquela época, o famoso químico britânico Davy já tinha produzido metais muito reactivos, como potássio e sódio, por electrólise de hidróxidos fundidos. O alumínio também era muito reativo, pelo que Hall e Herou pensaram em utilizar o processo de electrólise para obter alumínio metálico. O óxido de alumínio (bauxite) é o minério de alumínio mais comum na natureza, mas devido ao seu elevado ponto de fusão (superior a 2000 °C), era difícil de fundir e, por isso, difícil de electrolisar. Hall e Herou descobriram que, ao adicionar outro mineral contendo alumínio, a criolite (fluoreto de alumínio sódico, com a fórmula Na 3 AlF 6), o ponto de fusão da mistura descia para menos de 1000 °C. Assim, o processo de electrólise podia ser realizado a temperaturas mais baixas, reduzindo significativamente o consumo de energia e simplificando o processo. O alumínio deixou, assim, de ser um material "de luxo" e tornou-se um produto barato, acessível a todos, e não apenas aos nobres.
Vale a pena referir que Hall e Herou inventaram, independentemente, o processo de electrólise para produzir alumínio. Embora os processos fossem ligeiramente diferentes, o objectivo era o mesmo. Os dois homens não competiram pela "invenção" do processo de electrólise para produzir alumínio, mas sim se respeitaram e colaboraram, tornando-se amigos íntimos.

